“A felicidade consiste mais em pequenas conveniências ou prazeres que ocorrem todos os dias do que em grandes pedaços de sorte que acontecem raramente. ”
Benjamin Franklin

Nota: Todos os conceitos expressos abaixo são tirados livremente de artigos encontrados em páginas da Internet.

Hygge

a palavra dinamarquesa sem tradução para o português remete ao conforto e faz do moradores daquele país o “povo mais feliz do mundo”, segundo um ranking de felicidade divulgado anualmente pela ONU.
Hygge é como o ato de se aninhar e de ter atitudes caseiras e comfy. Pesquisado na internet, o termo possui um banco de imagens gigantesco, relacionando seu aspecto a ambientes indoor, baixas temperaturas e Natal. Mas, claro, o brasileiro também quer ser hygge.

Para adaptarmos de forma correta o conceito do termo para a nossa realidade, confira na galeria abaixo uma seleção de roupas confortáveis, comidas caseiras, bons livros e muito mais!

Hygge à brasileira

  • Café coado: nada mais hygge do que acordar de manhã e preparar um café com calma, para tomar, sem açúcar, com uma fatia de bolo de fubá caseiro
  • Pinhão: muito consumida na região Sul do Brasil, a semente pode incrementar receitas doces ou salgadas, mas o gostoso mesmo é cozinhá-la e comer lendo um bom livro ou vendo TV
  • Se tem algo que o brasileiro gosta de fazer à noite na praia é o lual. Normalmente, mesmo no calor, há uma fogueira, vinhos, cervejas e pessoas tocando violão
  • Milho com manteiga: popular nas praias de todo o País (e também nas saídas de shows, faculdades e colégios), o tradicional milho com manteiga e sal faz parte da lista graças à “lembrança de casa” que traz
  • Crochê: o hygge, desta vez, é mais pela ação do que pela peça pronta. Afinal, o crochê é sempre realizado em momentos tranquilos, em frente a televisão, em um dia chuvoso…
  • Chimarrão: a bebida típica do Sul sempre acompanha o seu dono. Seja em um restaurante, no cinema ou até mesmo em casa, é a bebida “comfy” por natureza
  • Brigadeiro de colher: o doce, facílimo de fazer, é perfeito também para comer da própria panela
  • Vinho quente: tradicional das festas juninas, é consumido no outono, quando as temperaturas baixam e as quermesses começam a pipocar na cidade
  • Canja de galinha: leve, é ótima para ser consumida em dias frios, com torradinhas e família.

Entenda o que é hygge

Felicidade na Dinamarca é coisa séria. O dinamarquês não só é alegre, mas também detém o título de povo mais feliz do mundo segundo uma pesquisa divulgada em 2016 pela Universidade da Colômbia (o Brasil está em 17º lugar). Para descobrir o motivo de tanta prosperidade, é preciso desvendar um conceito típico dinamarquês, o “hygge” (pronuncia-se “hu-ga”)!

O termo serve para descrever diversas situações de bem-estar e contentamento, que podem ser desde tomar um chocolate quente com amigos num inverno frio até ler um livro em uma rede preguiçosa numa tarde de verão. É como se os dinamarqueses se permitissem viver situações somente para sentir conscientemente uma sensação de conforto. Ou seja, é uma escolha pelo bem-estar.

Do not translate! De origem norueguesa, a palavra chegou à Dinamarca no século 19 e está presente em toda a língua. “É quase impossível conversar em dinamarquês sem usar uma palavra relacionada a hygge, que é tão parte da língua dinamarquesa quanto do estilo de vida do país nórdico”, explica Birte Dreier, especialista em dinamarquês da Babbel.

Segundo Bertie, a tradução literal para o português seria “aconchego”. “Mas a palavra dinamarquesa hygge também significa ‘bem-estar’, ‘contentamento’, ‘sociabilidade’ e ‘segurança’, no sentido de se sentir protegido e tranquilo”, diz. Portanto, não há um único significado e fica difícil traduzir de fato. É quase como o nosso “saudade”, que os estrangeiros até conseguem entender o significado, mas não há um termo específico para a palavra em outras línguas.

Eu hyggeio, você hyggeia

Na Dinamarca, há um entendimento geral de quais hábitos e programas são considerados hyggelig (adjetivo para o que é hygge) e também sobre como fazer hygge. Mas não há acertos e nem erros, pois também existem percepções pessoais do que é hygge, segundo a especialista.

Por exemplo: pode ser jantar com amigos para uma pessoa e, para outra, assistir uma partida de futebol do time do coração. Também pode ser jantar com amigos, ler um livro enquanto chove lá fora, almoçar no parque num dia de sol, ir a um show, tomar uma cerveja à beira da praia e por aí vai.

Ou seja, o que importa é o bem-estar de cada um. Inclusive, aquela calça confortável que você adora usar em casa leva a palavra em seu nome no dinamarquês: “hyggebukser”.

E o hygge no Brasil?

Será que o hygge é um conceito que pode ser trazido para outras culturas? Segundo Birte, definitivamente sim! Mas ela avisa que o termo é muito enraizado na cultura dinamarquesa e em sua auto-concepção, e pode acabar tendo diferentes formas em outros países. De qualquer forma, cada cultura/cada indivíduo pode criar seu próprio estado de bem-estar, contentamento e sociabilidade”.

Para atingir esse estado de aconchego, a especialista aconselha: “Descubra coisas simples que fazem você se sentir bem, leve e aconchegado. Depois, cerque-se dessas coisas boas, companhias agradáveis e seja feliz”, diz. Não é demais?

Entenda o que é hygge e veja 5 jeitos de aderir ao estilo de vida

Conceito nórdico de conforto e bem-estar pode ser aplicado no dia a dia

Preparar a casa para a chegada da nova estação, reunir os amigos em torno da mesa, ler um livro e tomar um chá contemplando o silêncio. Tudo o que pode trazer conforto e sensação de bem-estar tem um nome ainda sem tradução para o português: hygge. O estilo de vida surgido na escandinávia não é novidade, mas voltou à tona desde que a Noruega (seguida da Dinamarca e da Islândia) foi considerada o país mais feliz do mundo de acordo com o relatório anual da ONU (Organização das Nações Unidas). O Brasil ficou em 22º lugar no ranking, que leva em conta fatores econômicos, sociais e políticos.

Qual é o segredo da felicidade? Além da cordialidade e de políticas de bem-estar social empregadas nesses países, muita gente atribui o sucesso ao conceito de hygge (pronuncia-se “rîgue”, ou “hu-ga”), praticado de maneira orgânica pelos povos nórdicos. Durante o inverno, os dinamarqueses têm apenas quatro horas de sol por dia e as temperaturas médias giram em torno de 0º C, o que faz com que as pessoas passem mais tempo dentro de casa. Segundo a professora Susanne Nilsson, que ensina conceitos de hygge em Londres, isso significa que as formas de se divertir no lar passam a ser muito importantes.

“Passar um tempo curtindo um aconchego com amigos e família, tomando uma cerveja ou um café com bolo, pode ser bom para a alma”, exemplifica Helen Russell, autora do livro “The Year of Living Danishly: Uncovering the Secrets of the World’s Happiest Country” (O ano em que vivemos como dinamarqueses: Descobrindo os segredos do país mais feliz do mundo). Veja a seguir 5 maneiras de aderir ao estilo de vida hygge, independentemente do país em que você mora.

  1. Crie ambientes acolhedores Apostar em velas, mesmo durante o dia, é outra dica dos dinamarqueses para criar um refúgio. Já decorar a casa com flores é uma boa ideia para deixar o ambiente acolhedor.
  2. Abra a casa e receba os amigos Muito além de decorar a casa para as festas, o cuidado com cada detalhe é importante na hora de abrir as portas para os convidados.
  3. Aproveite para cozinhar Seja um simples bolo de chocolate para acompanhar uma xícara de chá, ou uma receita mais elaborada, investir em comfort food é um jeito prático e saboroso de aderir ao estilo de vida hygge. Também valem receitas como o bolo de coco molhadinho e o verdadeiro pão italiano.
  4. Cultive objetos de valor sentimental Que uma peça assinada, original e de época, tem o poder de transformar tudo ao redor, nós já sabemos. Na filosofia hygge, a ideia é valorizar móveis de família para resgatar a sensação de acolhimento. Poucos hábitos são tão reconfortantes, por exemplo, quanto tomar um chá na antiga louça dos avós.
  5. Arrume tempo para você

Tomar um banho relaxante e passar tempo sozinho lendo um livro pode ser incrivelmente reconfortante. Aproveite o momento!

A forma como você ilumina o espaço é um fator primordial para garantir um ambiente Hygge. E nada de luzes fortes e claras (com cara de escritório), o legal aqui é deixar a luz mais difusa e em pontos focais, criando um ambiente aconchegante. E os dinamarqueses conseguem isso utilizando velas. Eles são o povo que mais consomem velas na Europa.

Você também pode ter um efeito de luz aconchegante utilizando uma iluminação artificial. E por isso os dinamarqueses desenvolveram uma série de lustres com luz suave e difusa, que são ícones da decoração e que já foram premiadas em diversas mostras. São eles: O lustre PH (Henningsen, 1925), o Le Klint (Peder Vilhelm Jensen-Klit, 1943) e o Panton VP Globe (Verner Panton, 1969).

Você não precisa ter esses lustres para ter um ambiente Hygge. Basta usar velas ou escolher uma iluminação mais difusa e suave.

Tá aí uma coisa que é bastante difícil nos dias de hoje… desligar o celular. Quem nunca ficou numa mesa de restaurante ou num grupo de amigos olhando as novidades da rede social? É um vício, e por mais que às vezes tenhamos consciência de que isso é prejudicial, olha a gente de novo olhando as novidades.

Bem, na Dinamarca acredito que também existam muitas pessoas que não desgrudam do celular, mas lá ocorre uma coisa que acho que é bem legal e que unem as pessoas: os clubes de convivência. Existe clube para tudo: esportes, gastronomia, artesanato, literatura, etc. Você encontra o seu nicho e começa a interagir.

Mas é importante dizer que os clubes são feitos por pessoas e não por empresas, então você precisa primeiro se conectar com as pessoas do clube para criar afinidade.

Os clubes geralmente são pequenos para que haja uma interação melhor entre as pessoas e como a palavra CONFIANÇA é levada muito a sério lá, às vezes não é tão fácil uma pessoa nova entrar nesse círculo de amigos. Mas quando consegue entrar, tenha certeza de que são amizades para toda vida.

E acho que por isso fique mais fácil se desligar os celulares. Fazendo o que gosta e rodeado de amigos verdadeiros que compartilham suas paixões, a última coisa que você pensa é ficar navegando nas redes sociais.

Sei que está pensando… deve ser o povo mais obeso do planeta! Mas tudo deve ser consumido com moderação (pelo menos acredito que seja porque não estão no ranking dos 10 países com mais obesos do mundo. O Brasil está em 5º lugar).

Esse prazer é como um “presentinho” para nós mesmos, um intervalo prazeroso nas exigências da vida diária. É a nossa famosa pausa para um “cafezinho”. Só que além do cafezinho, a pausa lá é mais açucarada.

O consumo de doces na Dinamarca é o dobro da média europeia. Só perde para a Finlândia que é o país que come mais doces a nível mundial.

E com isso fico me perguntando: Será que comer doces tem a ver com felicidade? Será que o stress engorda mais que os doces, já que nós brasileiros somos o 5º país mais obeso?

Na minha reflexão, o doce na Dinamarca é usado como instrumento para uma pausa, para conversa entre amigos, para uma reunião em casa ou numa confeitaria. E isso sim que traz felicidade… pessoas!

Uma das coisas que mais admiro nesse país é a igualdade. Igualdade de gênero, igualdade social, igualdade econômica. Não tô dizendo que o país é perfeito e que todo mundo deve agora fazer as malas e ir morar na Dinamarca. Acho que devemos aprender com eles.

Enquanto nós aqui no Brasil temos o manifesto “Jeitinho Brasileiro” onde a individualidade sobrepõe à coletividade. Na Dinamarca tem o manifesto “Hygge”, onde a coletividade sobrepõe à individualidade. Onde a Confiança é a palavra de ordem e tudo é pensado no bem comum.

Um exemplo que me chocou (como brasileira) no início é a alta taxa de impostos na Dinamarca. Lá, quanto mais rico, mais imposto paga, chegando a reter 51% do valor recebido. Muito né? Se isso acontecesse aqui ia ser a 3ª Guerra Mundial.

Mas lá a confiança no governo existe, afinal não tem o nível de corrupção que existe aqui. E esses impostos que são arrecadados são convertidos em melhorias para a coletividade. Saúde, Educação, Segurança, Qualidade de Vida. Qual povo não seria feliz tendo todos esses requisitos atendidos?

Outra coisa que também achei bem interessante é o fato das pessoas na Dinamarca não sonharem em serem milionárias (afinal, pagam mais impostos). E isso ajuda na sua relação com o trabalho e com a família. Não precisam se sobrecarregar tendo vários empregos para completar a renda (o governo supre bem todas as necessidades básicas) e por isso acabam trabalhando menos (média de 6 horas diárias) e com isso aproveitam melhor o convívio com a família e amigos. Isso sim é felicidade!

Não importa a religião, a situação econômica, o clima, o país que você vive… ter gratidão sempre é bom. Faz bem para alma.

E uma dos elementos importantes do manifesto Hygge é nutrir esse sentimento de gratidão. E para mim gratidão tem tudo a ver com felicidade.

Quer coisa mais chata do que aquela pessoa que fica se vangloriando dos seus feitos, que fica ostentando o que tem para se parecer melhor que os outros.

Infelizmente “ostentar” virou moda e está enraizado no modo de pensar, de agir, de vestir, nas músicas, etc. É o suprassumo do individualismo.

E o manifesto Hygge está de encontro com a ostentação. A harmonia é valorizada pela igualdade, pela coletividade, e não por feitos individuais. Isso não quer dizer que não exista divulgação de feitos individuais, mas isso é feito de forma mais velada. É como todo o discurso de jogadores de futebol. Por mais que seja a estrela do time, o resultado sempre é em favor do grupo.

Essa atitude a meu ver gera mais união, confiança, autoestima e produtividade ao grupo. Deve ser incorporado em todas nossas relações sociais.

Estamos vivendo numa sociedade de ostentação tão grande que muitas vezes nos esquecemos do nosso potencial, não confiamos em nós mesmos. Achamos sempre que “fulano” é melhor que a gente. Vivemos nos inspirando nos feitos dos outros e não em nossos próprios feitos. E isso gera depressão, procrastinação, desorganização da vida. Você quer ser tudo e às vezes não consegue ser nada.

E a Harmonia que o Hygge quer mostrar tem a ver com a nossa harmonia interna. O gostar pelo SER e não pelo TER.

Os dinamarqueses em geral gostam de um tom casual, um ambiente casual e um estilo casual.

Isso pode ser traduzido em duas palavras: funcionalidade e minimalismo. Acredito que os dinamarqueses não devem ter muitos problemas com desorganização. Rsrsrs

Em relação ao vestuário, talvez não me agrade muito porque o guarda-roupa deles é predominantemente preto e cinza (comum em lugares muito frios). Mas uma coisa é certa: isso ajuda muito na hora de vestir. Não perdem muito tempo escolhendo combinação de cores. Tudo combina entre si.

Em relação à decoração da casa, os dinamarqueses investem pesado em artigos renomados (muitos dos grandes designers são dinamarqueses). E por ser uma paixão nacional o designer de interiores, além de ser muito Hygge receber amigos em casa, os dinamarqueses não poupam esforços para ter uma casa bem decorada e aconchegante.

Mas isso não quer dizer que a casa é entulhada de coisas. Longe disso! Tudo é pensando de forma funcional e com o espírito minimalista. Até porque querem deixar em evidência aquela peça de um designer renomado que juntaram dinheiro para obter.

Ah… outra coisa muito presente na casa dinamarquesa é a natureza. Seja na madeira, plantas ou peles. A natureza traz o Hygge para dentro de casa.

Não importa em qual país você vive, três assuntos devem ser proibidos numa reunião com amigos e familiares: política, religião e futebol (ou time preferido). E falo por experiência própria que já briguei com parentes e com o marido por causa de discussões sobre política.

Cada pessoa tem a sua crença e devemos respeitar. E para não criar atritos desnecessários, melhor deixar certos assuntos para outras ocasiões que se tornem mais pertinentes.

Ter uma ocasião Hygge é ter descontração e experiências boas. Então é melhor dar uma trégua para assuntos que criam polêmica.

Felicidade tem a ver com sensações e experiências. E isso dificilmente nós conseguimos sozinhos em frente à TV ou vidrados na tela do celular. Pare e pense agora… Quais os momentos da sua vida que te remetem à felicidade? Tenho certeza que serão momentos onde existam pessoas e não tecnologias.

E o manifesto Hygge pretende estimular isso: criar experiências felizes com as pessoas. Seja na sua casa aconchegante rodeada de velas, seja na pausa do trabalho regado a doces, seja nos clubes fazendo seu esporte favorito. O que importa é manter laços afetivos de confiança e união.

Como é bom viver num lugar onde nos sentimos em paz e em segurança. Infelizmente não é a realidade para muitas pessoas. E não é à toa que o nosso mundo tem um número cada vez crescente de REFUGIADOS, ou seja, pessoas que não encontram mais a paz e a segurança nos seus países. Quer infelicidade maior que esta?!

E por mais que sua região não seja a mais segura (onde moro é um exemplo), você pode trazer a paz e a segurança para dentro da sua casa. O mundo pode estar se destruindo da porta para fora, mas da porta para dentro da sua casa todos são bem acolhidos.


Eu não moro num país que tem o Manifesto Hygge como ideologia, mas tento na minha casa ter os 10 preceitos citados aqui. Claro que não sigo com perfeição, mas tento evoluir a cada dia e ser feliz a cada dia. Quer coisa mais Hygge do que viver o presente?

E você? Como anda sua felicidade? Quais dos preceitos do Manifesto Hygge você mais gostou? Qual você adota ou teria vontade de adotar?